Resposta rápida
- Onde o pedido mais trava?
- Na liberação — o degrau mais comum no suporte, à frente de crédito e estoque.
- Pedido gravado já fatura?
- Não — falta liberação, crédito e estoque.
- Quem resolve bloqueio de crédito?
- O financeiro, não quem digitou o pedido.
- Quem resolve falta de saldo?
- O almoxarifado ou compras, com entrada de estoque.
“Não fatura” não é uma causa — é preciso saber em qual dos quatro degraus o pedido parou.
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“O pedido não fatura” é a frase mais comum e menos útil do faturamento. Ela não diz nada, porque um pedido de venda no Protheus não vira nota fiscal em um passo só: ele atravessa quatro degraus — gravação, liberação, crédito e estoque — e pode parar em qualquer um deles, por motivos e com donos completamente diferentes.
Este artigo é o desenho desse caminho, degrau por degrau, e o que costuma emperrar em cada um.
O fluxo inteiro em uma imagem
Antes de tudo: os quatro cadastros
Nenhum pedido sobrevive à gravação se um destes quatro estiver incompleto ou inconsistente entre si:
- Produto — precisa existir, estar ativo e ter unidade de medida coerente com a quantidade que você vai digitar.
- Cliente — com loja, tipo e situação cadastral resolvidos. É aqui que mora o limite de crédito que vai ser consultado dois degraus adiante.
- Condição de pagamento — determina quantos títulos a receber nascem quando a nota for emitida, e com que vencimentos.
- TES — o Tipo de Entrada e Saída. É o cadastro que decide a tributação, se o item movimenta estoque e se gera duplicata. Um TES errado não impede a gravação do pedido; ele produz uma nota fiscal errada, que é bem pior.
A ordem importa: o TES é o único dos quatro que erra em silêncio. Se a dúvida é qual campo do cabeçalho ou dos itens carrega cada uma dessas decisões, com o nome real no dicionário, está em Preenchendo um pedido de venda: campo a campo.
Degrau 1 — Gravação
Preenchido o cabeçalho (cliente, loja, condição, vendedor, tabela de preços) e os itens (produto, quantidade, preço, TES, armazém), o sistema valida e grava.
Um pedido gravado ainda não é faturável. Ele existe, tem número, aparece nas consultas — e não avança sozinho. Esse é o mal-entendido mais frequente entre quem digita o pedido e quem cobra a nota.
Degrau 2 — Liberação
A liberação é o ato explícito que empurra o pedido para as duas análises seguintes. Pode ser manual ou automática, dependendo de como o ambiente foi parametrizado. Sem ela, o pedido fica parado indefinidamente sem nenhum erro aparente — o que faz esse degrau responder por boa parte dos “não fatura” que não têm mensagem nenhuma.
Quando a liberação é automática, o sistema a dispara assim que o pedido é gravado, e os dois degraus seguintes acontecem em sequência, sem que ninguém precise entrar na tela do pedido de novo. Quando é manual, alguém — em geral do próprio faturamento — precisa acessar a rotina de liberação e confirmar o pedido antes de crédito e estoque sequer serem consultados. É por isso que um pedido parado neste degrau não mostra erro nenhum: ele está exatamente onde a parametrização mandou que ficasse, esperando essa ação específica.
Degrau 3 — Crédito
Aqui o Protheus compara o valor do pedido com o limite de crédito do cliente e o que ele já deve. Reprovou, o pedido fica bloqueado esperando aprovação.
Este degrau tem dono, e não é o faturamento. É o financeiro. Nenhuma quantidade de mexer no pedido resolve um bloqueio de crédito; o que resolve é alguém com alçada liberar, ou o cliente pagar.
Degrau 4 — Estoque
Com o crédito liberado, o sistema verifica saldo disponível no armazém indicado no item. Três desfechos:
- Saldo total — o pedido é liberado inteiro e segue para faturamento.
- Saldo parcial — libera o que dá, e o restante permanece no pedido em aberto, esperando uma nova entrada de estoque. O pedido não é cancelado nem duplicado: ele fica com saldo residual.
- Sem saldo — o item fica bloqueado aguardando entrada ou realocação.
Note no diagrama que o caminho da liberação parcial volta para a verificação de estoque. Não é um erro do desenho: é exatamente o que acontece na prática toda vez que uma compra entra.
O que costuma travar
Em ordem de frequência no suporte:
| Sintoma | Degrau | Dono |
|---|---|---|
| Pedido gravado, nada acontece | Liberação | Faturamento |
| “Cliente bloqueado” | Crédito | Financeiro |
| “Sem saldo disponível” | Estoque | Almoxarifado / Compras |
| Nota sai com imposto errado | Cadastro (TES) | Fiscal |
| Título a receber com vencimento errado | Cadastro (condição) | Financeiro |
| Não deixa gravar o item | Gravação | Quem digita |
O que a nota fiscal dispara
Emitida a nota, três coisas acontecem de uma vez, e é útil saber quais são quando alguma delas não acontece:
- Baixa de estoque, se o TES movimentar estoque.
- Cálculo dos impostos, conforme o TES.
- Geração do título a receber, conforme a condição de pagamento.
Repare que duas das três dependem do TES. É por isso que ele é o cadastro que mais vale conferir antes de faturar em volume.
Um pedido, três telefonemas
Segunda-feira, 9h: um pedido é gravado sem erro nenhum. Terça, 8h, o cliente liga perguntando pela nota — e “não fatura” é a resposta que ele ouve, sem mais nada. É aqui que o desenho ajuda de verdade: em vez de abrir o pedido e adivinhar, quem atende segue os quatro degraus, um telefonema por vez.
Primeiro, a gravação: confirma que o pedido existe e tem número — esse degrau está resolvido, não é ele. Segundo telefonema, para o financeiro: o cliente está com crédito bloqueado? A resposta vem em minutos, porque é uma pergunta de sim ou não. Se estiver, é o financeiro quem decide quando libera — não adianta insistir com quem vendeu. Liberado o crédito, sobra o terceiro telefonema, para o almoxarifado: tem saldo no armazém indicado no pedido? Sem saldo, o item fica com saldo residual esperando a próxima entrada — e é exatamente isso que o cliente ouve de volta, em vez de “não fatura”.
Três perguntas, três donos, um pedido só. É o oposto de abrir o sistema e tentar adivinhar onde ele travou.
Por que o desenho importa
Quando alguém diz “o pedido não fatura”, a pergunta útil não é o que aconteceu — é em qual degrau ele parou. Crédito é assunto do financeiro; estoque é do almoxarifado; liberação é de quem opera o faturamento. São donos diferentes, com alçadas diferentes.
O diagrama acima é o que permite dizer isso em trinta segundos, sem abrir o sistema e sem chamar a pessoa errada.
Referências
TDNtdn.totvs.com
TDN — MATA410, Pedidos de VendaTDNtdn.totvs.com
TDN — TES Inteligente
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